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A ausência é o avesso da presença. A certeza de estar em outro lugar. Percepção de percurso. Deslocamento de corpos. A impossibilidade de ocupar todos os espaços. A afirmação do vazio. Temporário. Do preenchimento. Também temporário. Migração dos desejos. A ocupação das estepes. Movimento. Ausência é presença. Travestida de lugar.
Não mate a fome É ela que nos alimenta
Na perspectiva dele.
Que eu me permita fugir de qualquer coisa que se intitule vanguarda. Acrobatas futurísticos saltando sobre si mesmos em direção ao passado. Soldadinhos vigilantes do messiânico senhor “Novo”. Manufatura incansável de datas. Mesmice criativa escondida atrás de velhos hábitos. Ah, sim. Vanguarda. Do atraso. Servos obedientes das nomenclaturas vigentes. Casta de condenados à linha do tempo. Não há nada a frente. Mas dê um passo e você não está mais no mesmo lugar. Carcereiros do pensamento vivo, pulsante, que se projeta eterno e único. Intérpretes desajeitados da singularidade. Poetas da sua própria obsolescência. O carro novo, assim que sai da loja, perde 20% do seu valor de mercado. Existem camadas de histórias entranhadas na sua pele. Arte é. E só há o hoje pra criar.
"Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo". Jean Baudrillard Afinal de contas, tudo não desapareceu. Que pena que você não está mais aqui.
Essa indignação datada e produzida pela mídia me deixa enojada. A merda já tá acontecendo há muito tempo em muitos lugares, em todos os bairros, em todas as zonas, em todas as horas, com todas as pessoas, mas o bom é a merda nova. Só ela é capaz de atingir. Não uso a palavra indignada porque ficou momentaneamente gasta pelo intrépido trabalho das empresas de notícia que não se cansam de produzir vítimas e algozes. Mas elas também vendem a redenção. Atenção para as próximas ofertas. Você não pode perder. Essas empresas e seus empregados estão realmente se esforçando em produzir sentimentos catárticos pra vida correr mais coerente no pós tragédia. Mas tem tragédia todo dia e a maioria não é notícia. Há muita gente atirando pedras e apontando culpados. Essas pessoas só olham pro próprio umbigo quando assim lhes convêm. Falam incessantemente em direitos e nunca devem nada, a ninguém. Não é assim que nos ensinaram? É muito fácil brincar de herói e bandido. As mesmas vozes que condenam, desv...
Eu nem sei mais do que gosto. Loura? Morena? Strogonoff? Hum bonitinha essa. Tem a cara meio de cavala, mas. Tenho que me controlar na frente da Creuza. Essa magrinha é gostosa. Eu comi aquela merda ontem só pra agradar. Na verdade eu não escolho nada na vida. Escolhem pra mim. E já faz tempo. Sou muito babaca mesmo. Não devia ceder tanto. Neguinho acostuma. É por isso que eu olho. Tenho direito. Bom dia. Faz tempo pracaralho. Ih caralho. Que horas são? Oito e trinta e cinco. Puta merda. Aquela nota que não emiti ontem, o vagabundo do César vai me esperar pra fazer. Aposto. Tô de saco cheio daquele escritório. Opa, desculpa. Foi mal. Não sabe andar na rua, não anda. Oduvaldo com certeza vai cobrar antes de eu chegar. Filho da puta. Não dá pra confiar em ninguém. Sou muito babaca mesmo. Merda. Puta que pariu. Hoje tá foda. Essa porra dessa calça que já aperta meu saco tá esbarrando no chão. Vou pedir pra empregada fazer. Não fode, tô pagando salário. Devia ter comprado aquela bonitona d...
Esse é pro manoel que cria formigas do barro abre as portas pras palavras sorri junto com as orelhas e pensa nomes nas coisas. Esse é pra fazer 90 camadas de infância tirar a razão da cabeça mais noventa camadas desobstruir o olho pescar idéias enricar a mente. Nada tem lugar. Só o que damos.
Eram oito da noite e, a caminho da casa de uma amiga, nos detemos num sinal vermelho. O sinal demorou mais que o costume e permitiu com isso, que olhássemos ao redor. Logo a nossa frente uma academia de ginástica, três andares, toda envidraçada - feito essas televisões de cachorro que se encontra em padarias -, cheia de esteiras e máquinas para o exercício dos músculos humanos. O sinal demorou mais um pouco e permitiu que pensássemos. - O ser humano teve que inventar máquinas pra poder andar. - É… e a nossa falta de tempo tá toda concentrada aí dentro. *** Mais tarde, na casa da amiga, uma notícia: A UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba) demitiu, de uma só vez, cerca de 138 professores, entre eles o irmão da amiga. No universo da instituição eles correspondem a todos aqueles que tinham titularidade. Esses indivíduos eram os responsáveis pelos programas de pesquisa, ensino e extensão da UNIMEP que agora estão interrompidos pela falta de docentes habilitados para tal. Motivo: int...
Hoje o asfalto me roubou as forças. Tentei virar do avesso, mas a esta hora da tarde não foi possível. Amanhã tento de novo com canudinho.
Estar. Signo de viagem. Conhecer, se apaixonar. Corta. Outro lugar. Camadas de momentos. Estranhamento, entranhamentos. Linhas de fuga. Quantas curvas faz um rio? É difícil ir, depois é difícil voltar. Nós nunca saímos do lugar onde estamos. O ideal é que se tenha uma vida. Para quanto tempo temos tempo? Novas camadas de tinta. Frases embaralhadas à espera de um lugar. Flash. Registro. Me habito nômade. Tem coisas que acontecem e você ainda não sabe. Tem coisas que acontecem. É preciso a potência de ser.
Passagem pra Amsterdam marcada pra quarta. À noite, de trem, sentados. Economizando Euros que fazem as pátrias fortes. Os cadernos de viagem, viajando. Nós numa terra de modos. Ouvindo Mundo Livre e bebendo vinho barato. Francês. De ótima qualidade. Na cidade reconstruída, os velhos rostos do metrô balbuciam restos. Marcas de guerra. Aos jovens a herança de uma mistura chamada globalização, apaga as marcas bonitas de fronteiras subjetivas. Só os tijolos resistem. E contam outra história. Uma semana no velho continente pra aprender aos poucos que passo tomar. Percurso. Um pé na frente e outro a te seguir. Viagem. Espelhos do mundo.
NÃO CAMPANHA CONTRA A DESINFORMAÇÃO Não veja o que eles vêem. Veja você mesmo. E só pra não dar bobeira, procure olhar pro que você vê. Recado de hoje: alguém já viu, entre tantas outras coisas, a propaganda eleitoral para o segundo turno? Pois é. É Preciso. Saber pra que serve pó de arroz e marketing. Cuidado, seu candidato pode vir com gosto de margarina ou prazo de validade vencido. Olha o simulacro aí gente! Depois é sempre tarde demais. Aí não reclama.
Nó na vista de quem não pensa. Desembaralha a mente e voa com asas de folha. Lava de lavadeira, limpa o tempo. Sou o verde entrelaçado nas teias. Brincando de amarelo, vermelho e transparente.
Sementeiras do deserto. Homens sem palavra dançam um balé dissociado. Na TV, debates sem sentido. Na rua, opiniões histéricas, consternadas, alugadas. Frases tolas. Fachada semântica. Recepção passiva. Discussões datadas. Queixume moralista. Hipocrisia barata. Ética desabitada. Todos doutos senhores de suas visões. Respingadas de intelectualismos. Ismos. Abismos. Seres desnorteados sem história. Sem memória. Inquilinos do momento fácil. Da resposta pronta. Da receita de bolo. Coloca um conceito no microondas que ele vira opinião pública em menos de cinco minutos. Pobres de nós que não sabemos mais pensar. Repetidas intenções. Fracassadas ações. Sua vida agora é um filme no celular. Sua personalidade vem da marca que você usa. Seu pensamento é uma ação de marketing. Sua singularidade é um item filosófico. Verdades em função. Plena confusão. A deles? A nossa. Habitantes acomodados de nosso próprio conforto. Representatividade? Quem representa o que, quem e porque? Posso falar em seu nome...
Preciso comer palavra.
não vejo o menor sentido em fazer algo no âmbito da arte que não violente. só vejo miséria e desgraça por aí, e a coisa se simplifica a ponto de você estar quase que somente respondendo a esses estímulos negativos, com sua sensibilidade, através dela, incluindo-se aí desde a lei da gravidade quando começa a atuar em você ao ser abduzido do útero, a violência aparentemente primeira, inevitável, até você constatar que todas as coisas na vida e na sociedade são fora do lugar, e depois disso a dor e a desesperança e depois a liberdade, mas ainda dor (que só a morte cessa). só respostas e fluxos, quando não são a mesma coisa. eu não tô aqui pra ser legal, assim bonitinho, por que isso não faz o menor sentido pra mim. só isso. Terêncio Porto, em seus pensamentos pela manhã.
Você pode ir a qualquer lugar quando você é outra pessoa. Você pode fazer o que quiser quando é outra pessoa.
In gold they trust Você não é você querido. Você é um consumidor.