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tá tudo tão frio e vazio

e não restou quase nenhum sinal de lugar pra eu ficar

sinto a vaidade infernal dos amigos que juraram não
sinto o corroer de tentativas mesmo que loucas
sinto um buraco tão grande no peito, na barriga, no estômago
que finalmente me transformei
no meu próprio buraco, no meu próprio vazio
um jarro

no jarro tem gente jogando coisas, no jarro tem gente forçando, no jarro tem gente empurrando, entrando inteira dentro do buraco
e de mim tomam e de mim o lugar e me empurram pro fora
me empurram
pro lugar que eu não sei

vejo uma chuva de horizontes ácidos
primeiras pessoas, nenhuma segunda, nenhuma terceira
um tempo todo
um e
eu eu eu eu eu
eu
te amo

ladainha latejante, excruciante, aniquilante
supremacia de uns médios
uns grandes, uns pequenos
todos sempre umbigos, todos muito próprios

desejo sumir como num dia criança
desejo não ter forma, sabor, cheiro e cor
desejo de
dissolver. virar brisa que
passou

quero não ser, não estar, não falar, não saber, não querer
fazer tanta força pra existir. de existir. desistir
não está nos meus palmos
não está nos meus planos

sou feia
esquisita
estranha
rota

romper

Comentários

"Monica Mamede" disse…
Há um tempo acompanho seu blog.
Sempre instigante.
O eu preeenchido de vazio tão cotidiano, tão pouco. Adorei.


Abraço,
Jonga Olivieri disse…
Grande, a poesia da vida, Nikita!
Sal Troccoli disse…
Andalusia detube trovare il tuo sito, dove il piacere della vostra bella poesia, e lei e lei mi ha detto, madaremos un abbraccio e una bella serie di applausi per questa opera di poesia.

E anche i miei ricordi per sempre.