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foto da grande, querida amiga, alícia ferreira

se só eu sei narrar isso é porque só eu vejo. eu vejo o vaso com três pequenas flores vermelhas e muitos brotos insatisfeitos ou incompletos e folhas verdes e gente amarela e maconha e vida e filme e coisa e agora.

na parede de fundo colorido uma foto polaróide fora de foco grudada com um durex de bateria que anuncia uma vida útil de 12 horas e escrito por cima da foto a frase “contra o foco infinito” e a lemniscata pairando sobre tudo e aí a mesa de trabalho com um porta lápis da hello kitty e um relógio que diz hora, dia, data, temperatura, mês, ano, desejo. e eu e você queremos ir embora agora, mas queremos voltar amanhã e ser. e é isso aí. reflexos no vidro, sons no ouvido são egípcios e étnicos do inferno azul que me guia e você ri atrás de mim como uma japonesa cantora dos fios e desafios que desfio enquanto canto no canto do meu canto meu prazer de solver. dissolver.

Comentários

floratomo disse…
como um dia qualquer nos floreios das carambolas?
Mauricio disse…
tempo tempo tempo
não serei nem terás sido
Unknown disse…
choro com a poesia...

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preciso de um tanto de realidade pra que eu possa me agarrar feito uma tabuinha de salvação de mentira e não simplesmente escorrer como agora entre as frestas e as pernas do que eu quero ser e do que efetivamente está guardado pra mim porque tem gente guardando pra você lugares que você não quer e você nem sabe disso. e uma das piores coisas é quando querem negar sua existência, fingir que você não existe, te isolar num lugar em que você não incomode o outro com suas dores e desejos. e daqui a pouco a mesma ação que te isolou aparece na sua frente em forma de mão querendo te comprar com uma migalha de existência e você tem fome mas sabe que agora é preciso recusar. esquálido o esqueleto faminto dança pra disfarçar a leveza e chora lágrimas escondidas onde ninguém é capaz de visitar. essas águas são feitas de tempo e corroem os horrores para além de algum lugar em que talvez seja possível regar. a violência é pura e bruta e brota de um sorriso com a facilidade com que quer te presentea...
pra tudo quanto é lado é uma porrada de gente querendo ser compreendida ao mesmo tempo que não tá nem um pouco afim de gastar o tempo necessário pra compreender ninguém, nem mesmo alguém que se acha importante demais pra ser visto, percebido por você, que já tá de saco suficientemente cheio de não ser compreendido por ninguém e por isso precisa antes de mais nada que te compreendam e é isso aí e foda-se porque só aí, eu vou poder te olhar. ter tempo de te olhar. você aí seu babaca, pode olhar pra mim agora. a ordem da compreensão é minha. o mundo é cão. e vai te dizer: quem é você? aí você vai renascer. esquece o cara que tava falando com você. senta. respira. fuma até um cigarro. fuma dois. e vai perceber que a parada que mais quer evitar no mundo é a rigidez e o medo. o medo do caralho que enfeia as vidas, as veias e as pessoas. o medo que machuca muita gente de morte. quero um tombo bem dado e sangrante. que doa de viver. que machuque de tesão. ...