sou atomicamente inconveniente, uso uvas nas mãos e vinho na boca. não vim pra te dizer, mas vim, tô aqui, atomicamente inconveniente, destra, rubra de prazer, te conhecer assim atomicamente inconveniente. vivente humano pulsante. um pra lá dois pra nós. cada caso conta. são vinte pras cinco de agora. lambuzar de chá e mel dizia ela naquele instante. aprimorar o lamber, vacilar entre um lado e outro cambalear o quadril roçando nas suas coxas assim como entre os cabelos das pernas q cabem dentro das minhas olímpicas ternuras.
preciso de um tanto de realidade pra que eu possa me agarrar feito uma tabuinha de salvação de mentira e não simplesmente escorrer como agora entre as frestas e as pernas do que eu quero ser e do que efetivamente está guardado pra mim porque tem gente guardando pra você lugares que você não quer e você nem sabe disso. e uma das piores coisas é quando querem negar sua existência, fingir que você não existe, te isolar num lugar em que você não incomode o outro com suas dores e desejos. e daqui a pouco a mesma ação que te isolou aparece na sua frente em forma de mão querendo te comprar com uma migalha de existência e você tem fome mas sabe que agora é preciso recusar. esquálido o esqueleto faminto dança pra disfarçar a leveza e chora lágrimas escondidas onde ninguém é capaz de visitar. essas águas são feitas de tempo e corroem os horrores para além de algum lugar em que talvez seja possível regar. a violência é pura e bruta e brota de um sorriso com a facilidade com que quer te presentea...
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