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Esse é pro manoel que cria formigas do barro abre as portas pras palavras sorri junto com as orelhas e pensa nomes nas coisas. Esse é pra fazer 90 camadas de infância tirar a razão da cabeça mais noventa camadas desobstruir o olho pescar idéias enricar a mente. Nada tem lugar. Só o que damos.
Eram oito da noite e, a caminho da casa de uma amiga, nos detemos num sinal vermelho. O sinal demorou mais que o costume e permitiu com isso, que olhássemos ao redor. Logo a nossa frente uma academia de ginástica, três andares, toda envidraçada - feito essas televisões de cachorro que se encontra em padarias -, cheia de esteiras e máquinas para o exercício dos músculos humanos. O sinal demorou mais um pouco e permitiu que pensássemos. - O ser humano teve que inventar máquinas pra poder andar. - É… e a nossa falta de tempo tá toda concentrada aí dentro. *** Mais tarde, na casa da amiga, uma notícia: A UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba) demitiu, de uma só vez, cerca de 138 professores, entre eles o irmão da amiga. No universo da instituição eles correspondem a todos aqueles que tinham titularidade. Esses indivíduos eram os responsáveis pelos programas de pesquisa, ensino e extensão da UNIMEP que agora estão interrompidos pela falta de docentes habilitados para tal. Motivo: int...
Hoje o asfalto me roubou as forças. Tentei virar do avesso, mas a esta hora da tarde não foi possível. Amanhã tento de novo com canudinho.
Estar. Signo de viagem. Conhecer, se apaixonar. Corta. Outro lugar. Camadas de momentos. Estranhamento, entranhamentos. Linhas de fuga. Quantas curvas faz um rio? É difícil ir, depois é difícil voltar. Nós nunca saímos do lugar onde estamos. O ideal é que se tenha uma vida. Para quanto tempo temos tempo? Novas camadas de tinta. Frases embaralhadas à espera de um lugar. Flash. Registro. Me habito nômade. Tem coisas que acontecem e você ainda não sabe. Tem coisas que acontecem. É preciso a potência de ser.
Passagem pra Amsterdam marcada pra quarta. À noite, de trem, sentados. Economizando Euros que fazem as pátrias fortes. Os cadernos de viagem, viajando. Nós numa terra de modos. Ouvindo Mundo Livre e bebendo vinho barato. Francês. De ótima qualidade. Na cidade reconstruída, os velhos rostos do metrô balbuciam restos. Marcas de guerra. Aos jovens a herança de uma mistura chamada globalização, apaga as marcas bonitas de fronteiras subjetivas. Só os tijolos resistem. E contam outra história. Uma semana no velho continente pra aprender aos poucos que passo tomar. Percurso. Um pé na frente e outro a te seguir. Viagem. Espelhos do mundo.
NÃO CAMPANHA CONTRA A DESINFORMAÇÃO Não veja o que eles vêem. Veja você mesmo. E só pra não dar bobeira, procure olhar pro que você vê. Recado de hoje: alguém já viu, entre tantas outras coisas, a propaganda eleitoral para o segundo turno? Pois é. É Preciso. Saber pra que serve pó de arroz e marketing. Cuidado, seu candidato pode vir com gosto de margarina ou prazo de validade vencido. Olha o simulacro aí gente! Depois é sempre tarde demais. Aí não reclama.
Nó na vista de quem não pensa. Desembaralha a mente e voa com asas de folha. Lava de lavadeira, limpa o tempo. Sou o verde entrelaçado nas teias. Brincando de amarelo, vermelho e transparente.
Sementeiras do deserto. Homens sem palavra dançam um balé dissociado. Na TV, debates sem sentido. Na rua, opiniões histéricas, consternadas, alugadas. Frases tolas. Fachada semântica. Recepção passiva. Discussões datadas. Queixume moralista. Hipocrisia barata. Ética desabitada. Todos doutos senhores de suas visões. Respingadas de intelectualismos. Ismos. Abismos. Seres desnorteados sem história. Sem memória. Inquilinos do momento fácil. Da resposta pronta. Da receita de bolo. Coloca um conceito no microondas que ele vira opinião pública em menos de cinco minutos. Pobres de nós que não sabemos mais pensar. Repetidas intenções. Fracassadas ações. Sua vida agora é um filme no celular. Sua personalidade vem da marca que você usa. Seu pensamento é uma ação de marketing. Sua singularidade é um item filosófico. Verdades em função. Plena confusão. A deles? A nossa. Habitantes acomodados de nosso próprio conforto. Representatividade? Quem representa o que, quem e porque? Posso falar em seu nome...
Preciso comer palavra.
não vejo o menor sentido em fazer algo no âmbito da arte que não violente. só vejo miséria e desgraça por aí, e a coisa se simplifica a ponto de você estar quase que somente respondendo a esses estímulos negativos, com sua sensibilidade, através dela, incluindo-se aí desde a lei da gravidade quando começa a atuar em você ao ser abduzido do útero, a violência aparentemente primeira, inevitável, até você constatar que todas as coisas na vida e na sociedade são fora do lugar, e depois disso a dor e a desesperança e depois a liberdade, mas ainda dor (que só a morte cessa). só respostas e fluxos, quando não são a mesma coisa. eu não tô aqui pra ser legal, assim bonitinho, por que isso não faz o menor sentido pra mim. só isso. Terêncio Porto, em seus pensamentos pela manhã.
Você pode ir a qualquer lugar quando você é outra pessoa. Você pode fazer o que quiser quando é outra pessoa.
In gold they trust Você não é você querido. Você é um consumidor.
As pequenas coisas Dia desses ganhei um presente. Teo chegou em casa e me disse: "O Daniel mandou entregar pra comadre". Eram três tirinhas de papel meio rosa, coladas e com o nome Papier D’Arménie . O que é isso, perguntei. É um tipo de incenso, francês, que Daniel pediu pra um amigo trazer de lá. Vende em Farmácias. Farmácias? Não seria em tabacarias? Não, farmácias. Cheirei o papel. Objeto delicado e diferente. Demonstração: você dobra a tirinha, feito uma sanfona, queima a pontinha e deixa num cinzeiro qualquer. Um cheiro de França. Que diabos seria isso? Não sei descrever, mas é. Uma coisa meio bistrô, café, tabaco, vinho tinto e história. Imagens e sensações que a gente guarda, mas não sabe exatamente da onde vem. Lugares que ainda não habitamos. Túnel do tempo, passagem secreta pra imaginações contidas. Guardei um papelzinho no meu caderno de anotações. Acesso imediato a um pequeno prazer. O mundo das pequenas coisas. Parece que a vida é feita delas. A vida que pretend...
Do Caulos , amigo das palavras e passarinho nada prático Pro Caulos , citando James Lord em Um retrato de Giacometti: "Alberto (Giacometti) é antes de tudo, para mim, um amigo por quem tenho grande afeição e estima. Mas é também um grande artista. Às vezes é difícil levar em conta ao mesmo tempo os dois homens. No entanto, eles existem simultaneamente e é preciso render justiça tanto quanto possível a ambos". Se eu tivesse talento faria um belo poema. Usando as palavras do passarinho: crianças são a única coisa interessante no mundo, além das artes verdadeiras. As artes ganham, porque continuam crianças. Ele ganha porque é artista, é verdadeiro e continua criança. Sempre. Do grande artista Caulos, uma homenagem ao grande artista Wilson Grey. Sobre o Wilson: m ais conhecido l á em cima como Wilson the White, antes de ser ator foi garçom, camelô, barbeiro, bicheiro, cientista, capanga, vampiro, caubói, motorista de praça. Tipo franzino, sempre de cabelos gomalinados, o típi...
Um tributo ao Dylan ou as várias formas de comunicação, seus níveis loucos e a lemniscata. Aos domingos podem acontecer coisas especiais. Segundo o avô do Teo (um tributo a ele também), as coisas boas acontecem em dias de chuva. De manhã, ainda com No Direction Home do Scorsese na retina, lavando louça e cantarolando uma parada, peço pro Teo colocar Like a Rolling Stone . Ele já tinha baixado a letra e as cifras porque combinamos minha primeira aula de violão pra hoje e era bem oportuno. Na dúvida entre o CD e o DVD, escolhemos o primeiro porque no DVD a música ficaria pela metade, graças a um recurso do cinema chamado montagem. OK. Aumenta o som e nós dois cantando bem alto às 10h30 da manhã. O vizinho gosta de coisas parecidas, então não há de ser nada. De vez em quando rola até de aumentar o volume pra decidir entre Marley e Led. How does it feel. How does it feel. To be without a home. Like a complete unknown. Like a rolling stone? Foi isso e todas as outras partes dificílimas de...
O apelo da arte e a rudeza das pessoas que não conseguem mais sentir. Já queria ter postado isso antes. Aconteceu domingo. Último dia da exposição de Anish Kapoor. Anúncio no jornal, recorde de público, flanelinhas na porta do CCBB. Eu já tinha ido, mas fui de novo. Sabia uma parte do que me esperava, mas não a coisa toda. Muita gente pra começar. Gente não seria o problema, considerando-se o esperado poder de sedução e mobilização da mídia, aliado a um pensamento otimista de que as pessoas estão se interessando mais por arte. Tolinha... Foi justamente das gentes que surgiu essa observação de abismo. Falavam alto. Eram invisíveis, com exceção de si mesmos, porque se posicionavam perante as obras como se não houvesse amanhã ou alguém do lado, ou alguém atrás. Colocavam os assuntos em dia em qualquer lugar, inclusive na saída - já pequena - de cada sala. Faziam questão de soltar suas crianças que, sem orientação ou limite, brincavam com uma peça de arte polida durante nove meses, deixand...
A lucidez que se alcança ao ser excluído de um mundo do qual você não quer fazer parte. Huguinho says: (2:01:21 PM) Gasta gaston, a poesia tá te esperando meu amigo. Luizinho says: (2:01:50 PM) Tô indo. Luizinho says: (2:01:55 PM) O Zé Mané me demitiu. Huguinho says: (2:02:39 PM) Citando nossa amiga Margarida: "que ótimo Luizinho, assim você não tem mais que se relacionar com esse tipo de gente!" Luizinho says: (2:04:09 PM) Isso. Luizinho says: (2:04:15 PM) Fiquei feliz a beça. Huguinho says: (2:04:28 PM) Got to walk, don't look back, por mais que doa. Huguinho says: (2:04:46 PM) Isso foi hoje? Luizinho says: (2:05:15 PM) Foi. Huguinho says: (2:05:25 PM) Tô achando que o Zé Mané, apesar de tudo, desse país e desse mundo ser um mundo de coroar imbecis, talvez ele consiga morrer antes da largada, por problemas de ego... Luizinho says: (2:06:05 PM) Incrível. Luizinho says: (2:06:11 PM) Eu nem preciso te dizer. Huguinho says: (2:06:12 PM) Então vem meu caro. Luizinho says: (...
A liberdade da desesperança. Porque é a única possível. Porque esperança não existe. Só mesmo o bichinho verde. E deviam mudar o nome dele. Quem espera não alcança nada amigo. Esperança então seria uma baixinha sentada na frente de uma mangueira, esperando uma manga amadurecer e cair porque ela não alcança a fruta. Quando a manga amadurece e cai, a baixinha está dormindo exausta. Sobe na porra desta árvore e pega a manga ou então senta aí e espera a próxima estação! Você que escolhe.
Os estudos que levaram à descoberta de Robilou Manteiga foram conduzidos por Caíto Mainier, conhecido expedicionário, pesquisador da ética e descobridor de coisas novas. O texto abaixo, assim como a imagem de Robilou são de sua autoria, após sinistras observações da realidade. Por ser muito ético, Caíto reluta em divulgar essas informações com medo do extermínio de Robilous. Mas conseguimos convencer um colaborador de Mainier a nos fornecer este material. Não foi fácil, mas aí está. Nossos propósitos são autênticos e incluem a transmutação das incoerências. Observe, talvez você já tenha entrado em contato com uma dessas criaturas. E parece que existem outras. Abaixo a transcrição do relato de Caíto, realizado durante trabalho de campo. Robilou Manteiga Bichos Novos Você sabe tudo sobre o planeta? Não, não sabe e sabe que não sabe. Então aceita a possibilidade da existência de bichos novos. Os bichos novos são bichos, novos, que surgiram agora, ou que já estavam aí, mas ...
É uma ponte que trai. Uma guimba que cai. Cinco vezes três, quinze. A curva se faz. Ao fundo aponte, o navio, o túnel. Na frente o número, o dominó, o mundo.