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porque fazer as coisas sem expectativa, sim, tentativa e erro, tentativa e erro, fazer simplesmente, vai mudar radicalmente a escolha das coisas que você faz. fico me perguntando por que tantos porquês. é junto ou separado? e hoje porque o padrão? eu desvio padrão. estará acontecendo uma fogueira que queimará expectativas, ansiedades e demais modelos primavera verão dois mil e tal às 18 horas desse dia. à beira da lagoa. depois da quinta árvore. a que dá flores amarelas e grandes todas as quintas feiras. a fumaça será devidamente doada aos céus que nos devolverão estrelas de espontaneidade ao alcance das mãos. e alguma liberdade. que será também. as mãos trabalham por nós enquanto estamos aqui. simplesmente escrevendo.
uma profissão que eu gosto é a de construtor(a) de pontes também gosto bastante de cavernas que não tenham morcegos, mas mesas estalactites e algum fio de sol uma boca que se abra pro fresco ar fresco e verde lá de fora brisa uma prancha de surf, refogado, rebolado, salgadinho de sal, maresia, terra molhada, café, chuva! e sol e só, e sol e chuva mergulho ando nas horas mortas do bairro e descubro que as horas mortas são as mais vivas silêncio e vida que pulsa re-pula re-pulsa e rescende, reacende sexo na mangueira, no mormaço, no latido, uma vida suspensa na gota de uma corda bamba uma corda de bamba coisas estranhas gente estranha das entranhas
daqueles dias em q as cigarras já cantam e o sol explode lá fora, mas ainda tem uma brisa fresca de chuva de ontem e mangas, muitas mangas, ainda verdes nos vár ios pés. sem sapato debaixo da mangueira q faz sombra na rede e na descida da colina q leva à rua principal, essa sim cheias de carros q deslizam em frente. não se sabe exatamente pra onde. só se sabe q é verão. e é pelo cheiro.
queria sair correndo rápido o suficiente pra que nenhuma notícia me alcançasse, somente o fluxo dos fatos passando e correndo junto contigo, uma mesma geléia navegando em direção nenhuma, nem antes nem depois, só agora, sempre, mudando de si para si mesmo e para o outro, intermitentemente, ao sabor dos sabores, o bom e o ruim mesclados de forma imperfeita a ponto de fazerem vc compreender alguma coisa pq sentido não tem, mas talvez vc possa dar alguma coisa pra alguém agora. e é isso que existe reproduzido mil vezes em tantos centésimos de segundo quanto você não possa contar.
tarja preta sinal verde vida amarela um veículo que te leva por baixo conferir o estado da caixa inventada pra viver outro transporte que te leva por cima sem troco pra vinte sem nexo sem rumo compro um varejo duas realidades de troco fumo o intervalo entre as coisas há um homem que fala uma língua estranha troco o troco pelo trabalho do homem hieróglifos decoram um papel dobrado em três guardo a obra dentro do livro preferido me dobro por dentro vejo estrelas onde não deviam estar a gentileza desliga o taxímetro parte de mim é partida outra parte é sentido sem direção
fazer é fogueira de ódio bom método das árvores fictícias para te dar de respirar dessa vez vista-se de ânimo uma saia que escorra bem vermelha capture as ondas  daquela alegria intensa que parece um peixe e que acontece sempre que você se vê fazendo realização fluxo de acreditar que se move apesar já não basta mais simples e leve fluido querer encontrar já é estar fazer do corpo movimento círculo território de tessituras obra em vão de ponte brusca e em ondas aquecidas de prazer intenso é perceber sem riso não há sub versão do segundo ato as faces ficam rosadas e cheiram algo verde e molhado e fresco, muito fresco, como uma floresta, quando seus olhos brilham com a vida e sua voz se eleva um tom você se eleva uns tons suor tons acima das coisas que nos pesam ou puxam ou relevam, tipo de gravidade, e bem liso e leve, um tipo de lépido, você voa e como é bom te ver voar porque asa dá
Dez pras seis, atrasada. Skype cinco e meia. Maldito trânsito, maldito uber, maldita reunião. 453650. Open. Odeio sistema de segurança. Odeio o síndico. Odeio a sensação de estar sempre atrasada, correndo atrás de alguma coisa. Respira. Relaxa. Oi, seu Jorge. O elevador tá quebrado? Puta que o pariu. Dezesseis andares. Dane-se, vou subir, seu Jorge, tô atrasada. Porta de incêndio, cheiro de desinfetante barato. Primeiro. Segundo. Terceiro. Roberval esfrega a escada com água sanitária. SMS. Pilates quinta-feira. Quarto, quinto, sexto, sétimo. Que ideia de merda. Para, respira, relaxa, liga o 3G. 15 mensagens. Faltam dez andares. 10 minutos. Décimo terceiro. Respira. Cheira. Desinfetante. Maconha? Dava tudo por um pauzinho agora. Seis e sete. Sabia que tinha um maconheiro nesse prédio, tem maconheiro em qualquer lugar, benzadeus, décimo sexto. Já trepei na escada. A Beth trepa na piscina. E o condomínio enche de cloro. Seis e quinze. 25 minutos, dezesseis andares. Respira muito. Câmera f...
Os comedidos guardam seus gestos e segredos como borboletas dentro do bolso Não existe medida, a não ser aquela criada em pulsos Magnético é o movimento Desmedido
uma parte importante do ato de procrastinar ou mesmo transferir parece ser a ideia de que a verdadeira felicidade, a verdadeira alegria, o verdadeiro job, o ver dadeiro projeto, o verdadeiro seja lá o que vc deseja, está sempre em outro lugar, outro país, outra pessoa, outra situação, outro momento, delegando ao absoluto vazio a chance de encontrar o quer que seja, e adiando indefinidamente o fato de que o que vc precisa está e sempre estará onde vc está, no exato instante em que se encontra, no que está fazendo agora, no que vem fazendo desde que vc se entende por quem vc sempre foi.
Baobá, pavê de biscoito champanhe, dessíduas, dossel, linóleo. Yes I am a beautiful lady in blue. Jan Garber and his orchestra. Muddy Waters. Yo mango. Consuma hasta morir. Um que tenha. Brilho nos olhos. Só sei que sou assim. Só sei que sou assim. O acaso é um grilo falante.
Límia Gallump se expressava nas redes sociais através de uma personagem, Dália Regina, a original. Amava todas as novas novidades, tanto bigger, quanto better. Límia Gallump era muito reprimida e suscetível à opinião alheia, já Dália Regina era uma demônia pública e gostava de botânica.   Suas mais recentes pesquisas giravam em torno das rosas antropófagicas, plantadas especialmente para esse fim, e da resistência das dálias alcoólatras ao vento sudoeste. A palavra surpreendia Límia, mesmo quando estava preparada como Dália. O que te anima é a diferença. O que te diferencia é o que te anima. Suburbano convicto. New radicals don’t let it go. Sistema negro. Consciência humana.
ia ter que tomar coragem como um líquido espesso, um bom vinho. precisava entrar naquele avião. todas as promessas comprimidas e pressurizadas ali, naquele pássaro de metal. cruzando continentes. cruzando destinos. era melhor viajar à noite porque não dormia melhor. tinha bebido. o voo atrasou. muitas horas sem comer. um cansaço que desaguava em medo. frio na barriga. suor frio. frio. pressentiu aquela onda de desequilíbrio rondando a cabeça a partir do umbigo. maremoto hidroeletrolítico baixa de glicose soro caseiro na cafeteria por favor. pavor. iria arremeter? olhou pra trás e viu a esteira rolante levando, a vida a levando de volta pro mesmo ponto. a felicidade é o melhor tempero. maria, a aeromoça de aspecto familiar, a ensinou a respirar pela barriga. a soltar bastante o ar. a soltar tudo aquilo que a fazia tremer em ondas. também pediu que fechasse os olhos e investigasse o que tinha no seu estômago e o que tinha no seu coração. sem sismar. se ali estivesse tudo bem, ir...
17 horas. 14 graus em lisboa. 28 em angra dos reis. 16 em sevilha. 9 em agerola. 23 em montevideo. 14 em veneza. 5 em nova york. o que lucía, com acento no i e sotaque de barcelona, mais gostava de fazer era viajar. qualquer modalidade de viagem. a pé, de ônibus, barco, avião, espiritual, de ácido, de bicicleta, interestadual, extraterrestre, pra dentro, pra fora. qualquer uma. por isso também amava aeroportos. a ponto de ir trabalhar lá, num dos piores empregos que tivera na vida: vendedora de freeshop, nos dias em que não é garçonete da tasca ou do bistrô. adorava ver os rostos, um pra cada pessoa no mundo, e são muitos bilhões delas! se assombrava com isso. o aeroporto contribuía com esse sentimento e alimentava ainda mais outro: o deslumbre pelo movimento. lucía quase nunca parava e gostava de ver tudo se mexer. árvores, carros, lesmas, até as pedras tinham movimento. estava sempre entre um ponto e outro e nesse estado se mantinha até que parava e constatava que a viagem tin...
Elton é chaveiro, mas abre qualquer coisa. Se interessa principalmente pelos tipos de chaves que abrem coisas que não existem mais. Trabalha na mesma esquina desde os cinco anos de idade quando começou a acompanhar o pai, que acompanhou seu próprio pai, que por sua vez acompanhou o pai que também acompanhou aquele que, se dizia, era seu pai. O que fazia daquela esquina um pedaço da sua carne. Elton John, ariano e vegetariano, assim se chamava porque sua mãe viu um show, fazia  muito tempo, na Praça de Espanha, e se apaixonou. Não pelo Elton (John), mas pelos óculos que usava, pelas roupas brilhantes que vestia, e pela mulher que transbordava daquela pele de homem, assim como das suas calças apertadas e do suor que borrava uma parte de sua maquiagem. Elsa se encantou. Por causa desse tesão repentino, que lhe consumiu as poucas calorias que restavam, a mãe de Elton baixou a própria pressão e se fixou noutros óculos (como uma tábua de salvação). Antes de desmaiar lhe s...
um homem dobra uma esquina. faz tanto esforço que se acentuam os vincos do rosto e da camisa ao ponto dos passantes perceberem. uma mulher procura uma língua em que possa falar. ela também se veste toda de preto porque combina com a escuridão em que vive da 8 às 16h. o homem e a mulher se encontram para um café. nele derramam açúcar, que no entanto não explica nada. a mulher tinha o ventre revolto de ideias e medo e por isso pediu para ir embora. … o dermatologista sempre dava nome pras coisas, mas nunca explicava o que eram. ... estava lhe faltando um caminho, embora percorresse muitos, todos os dias. ... a mulher que se chamava dora, diadora, chegou em casa e faltava luz. faltava na verdade quase tudo, mas naquele dia era a luz que a incomodava. embora combinasse com o negro de sua roupa. outra coisa que aconteceu foi q choveu. muito. e outra coisa foi que sua chave emperrou. sem aviso prévio. dora sabia prever coisas. aquilo não. mas tinha certeza que tinha...
chuva de pingo grosso e cheiro forte. quente terra molhada trovão amplidão. teatro no céu. raio conforto flash. uma vela, fogo cheiro, som que chega bem depois. mesa de cabeceira cômoda naftalina. chá preto com açúcar. seus pais estão no futuro. algum futuro, eles dizem. e você naquela chuva gorda. presa naquela vida que é sua, mas não é exatamente aquela. e é boa também, mas tem saudade. café com pão e manteiga, arroz doce, hortênsia, garagem, mistério, cajuzinho, cosme e damião. coarar roupa branca no sol terreno baldio praça. ônibus feira manicure padaria. trovão misterioso, trovão maravilhoso. expectativa raio silêncio barulho cheiro gota chuva. perfume memória, instantâneo flash. azulejo verde, cama quente, banho, mangueira doce. mistério naquela garagem. poeira pó cadeado cofre entulho bagulho produto farmacêutico. uma meia água. uma escola na esquina. o vizinho que torra café. a buzina do leite. um jipe. uma ponte. um rio. uma varanda uma cobra falsa coral risos. es...
conversando com um amigo a gente chegou à conclusão que quando a gente relaxa a gente também fica maior, apesar de mais leve. de formas que você pode aproveitar as formas de um apartamento que cresceu porque algumas pessoas foram embora e ocupar esse espaço todo com você bem espalhado. um você você, só q bem mais leve, podendo até voar e ensinar as pessoas que estão à sua volta o truque que possibilita fazer isso nesse apartamento e em todos os outros lugares. porque relaxar também expande.
porque fazer as coisas sem expectativa, sim, tentativa e erro, tentativa e erro, fazer simplesmente, vai mudar radicalmente a escolha das coisas que você faz. fico me perguntando por que, tantos porques. é junto ou separado? e hoje porque o padrão? eu desvio padrão. estará acontecendo uma fogueira que queimará expectativas, ansiedades e demais modelos primavera verão dois mil e tal às 18 horas desse dia. à beira da lagoa. depois da quinta árvore. a que dá flores amarelas e grandes todas as quintas feiras. a fumaça será devidamente doada aos céus que nos devolverão estrelas de espontaneidade ao alcance das mãos. e alguma liberdade. que será também. as mãos trabalham por nós enquanto estamos aqui. simplesmente escrevendo.
andei vendo umas pessoas pontudas. topar com elas nas esquinas é difícil, costuma machucar se você não desvia, se você não distrai. distraídos venceremos, distraídos ficamos certamente mais bonitos. pessoas de rabo doce geralmente tem diabetes.  existem muitas pessoas de rabos doces o que fará com que a taxa mundial de insulina se eleve ferozmente e os cabelos cresçam na direção oposta. está existindo também um problema com os espelhos e com as imagens que eles refletem, mas ninguém comenta. fiz um filme ao contrário numa galeria do uruguai. monte o vídeo. play no lugar de rec, rec no lugar de play. e eu em lugar algum. a não ser em montevideo. não como partícula independente da sua negação. eu sei porque os bares e restaurantes tem televisão. é pra ninguém precisar se olhar porque o quilo é apertado. de barriga cheia eu pensei que se a gente soubesse que dessa vez você só tem esse corpo e esse tempo, você pode até ter outros corpos e tempos, mas não vai saber disso conscient...